29/05/2012
Ele é isto! Ele é aquilo! Ele não vale nada! Nunca vai mudar! - Concordo
Magoaste a minha melhor amiga. Fizeste-lhe o cérebro em água durante dois anos. Não digo amor, mas sim um vício, uma fonte de abstracção. Revelavas o lado mais atrevido e ousado dela sem grande esforço e isso, de certa forma dava-lhe segurança porque tudo o que a mantinha insegura, perturbada e fraca, desaparecia. Parava como se houvesse um botão para desligar. Mas não era suficiente, havia um oposto, um outro alguém que por mais que tu ou outra pessoa carregassem nesse botão ele ia lá e era como se enferruja-se dificultando a sua utilização.
Mas tu continuaste a tentar carregar nesse botão, vezes sem conta, sem pudor ou consciência, até acabares por dar o golpe mais baixo de todos, em vão...
Desistis-te, conseguiste escapar, resolveste tudo o que achaste que devias resolver e desapareceste. Eu e muita boa gente, limpamos o que ainda ficou. As vítimas dos teus erros ergueram-se de novo e seguiram com as suas vidas.
Confesso, nem pintado de ouro de podia ver à frente, era pura e simplesmente dispensável a tua presença, mesmo sem nunca te ter conhecido realmente, era.
Ele é isto! Ele é aquilo! Ele não vale nada! Nunca vai mudar! - Calem-se! não sabem do que falam.
Sim, é verdade, arrisquei cautelosamente em conhecer-te. Estavas no Porto, o nosso único meio de comunicação seria, bem, virtualmente.
Com o tempo foste-te tornando necessário, um apoio sólido, sempre presente e que me entendia como nunca ninguém me tinha entendido até a data. Mostraste-me a mulher que havia dentro de mim, valorizaste-me com as mais honestas palavras, e com isso retive autonomia suficiente para o conseguir fazer comigo mesma. Eras um amigo, um grande amigo, inseparável, como se tivéssemos crescido juntos.
Contudo, e por mais que o evitasse, este coração não perdoou. Cada música, cada palavra, cada chamada até de madrugada preencheram a minha rotina e puseram de lado o tão constante "sem segundas intenções, já sabes". Era mútuo.
Conseguia sentir na tua voz a vontade que tinhas para estar comigo, tal como o sentia na minha respiração essa mesma vontade. Era grande, diferente, forte como tudo. Algo que ambos prometemos preservar para que nunca pudesse ser destruído ou influenciado pela opinião e conselhos de terceiros, porque verdade seja dita e venha o meu grande amigo José Saramago confirmar, "pela casca não se conhece o fruto se lhe não tivermos metido o dente".
Consegues vir para baixo. A paciência esgotava-se e o braço de semelhar forma se sentia de tanto verificar as horas teimosas. Então, ligo a quem te ia buscar e decido fazer-te uma surpresa. Na estação, o braço ganhou mais umas forças, decide puxar pelo tempo, até que vejo o comboio. Eles vão-te buscar e eu escondo-me à entrada da estação. Não encontro ninguém, então decido aproximar-me mais um pouco da linha férrea, e lá estavas tu, carregado com uma grande mala de viagem mais uma mochila às costas. O meu coração começou a bater imenso. Sai de onde estava escondida para que me pudesses ver e os passos que antes era moderados acalmaram radicalmente. Jogas a mão a cabeça como quem não estava a espera e eu, de sorriso rasgado beijo-te sem pensar duas vezes. Tudo ficou admirado, visto que era o nosso pequeno segredo. Não nos largamos o dia inteiro...
Dia três de Maio, dei uma pequena fuga para a ilha. precisava de estar contigo. Deitados na cama inferior de um beliche estávamos, até que me chamas para outra divisória da pequena casa. Vais a tua mochila de campismo, e tiras cinco anéis e pedes-me para escolher um. "Não te vou fazer um pedido de casamento visto que ainda é muito cedo, mas... bem eu estou mesmo a fazer isto né? ahah Gostavas de ser a futura Mariana Baptista Lopes Carvalho?" (...) Estas foram as palavras que tu me citaste enquanto te encontravas de joelhos, perante mim e a colocar o anel no dedo da minha mão direita. Foi perfeito.
Dia quatro, fomos para uma casa de campo com um bom grupo. Bebemos e rimos um bom bocado, e nós, sempre inseparáveis. Demos connosco a mergulhar no escuro da noite e na paz do ambiente campestre, rodeados das mais cintilantes estrelas, até que tu.. Até que tu me dizes que me amas - como nunca amaste ninguém antes... Beijos, abraços, carinhos e palavras eram o mundo!
Precisávamos de estar os dois, sós, mais ninguém. Decidimos ir passar a noite ao armazém da casa. Estendemos um pedaço de cartão no chão, lá nos instalamos, com muito esforço, dentro de um saco cama e aconteceu. Ainda me perguntaste se era mesmo aquilo que eu queria, mas, por mais cedo que fosse, cada beijo ou toque teu simplesmente cortava-me a respiração. Ai, mesmo cobertos de todo pela escuridão, beijei-te os lábios enquanto passava as mãos pelas tuas costas. Tu beijas-me o pescoço, dando-lhe umas ligeiras dentadas a seguir. Deslizas as tuas mãos no meu corpo como se de algo frágil se tratasse, até nos agarrarmos sem piedade alguma. Acordámos, e finalmente vi o teu rosto. Estavas a dormir, bem agarrado a mim. Nunca estivera tão feliz.
E quando eu pensava que o "nhonhozismo" todo já tinha acalmado, ligas-me tu dias depois, à uma hora da manhã para eu abrir a janela do meu quarto. Lá estavas tu em baixo, por de trás do muro. Não podias fazer barulho se não os meus pais acordavam e descobriam, mas tu disseste que não fazia mal, que só me querias ver antes de te ires deitar.
Conversámos por mensagens, sempre a olhar e a sorrir um para o outro, mas não aguentei. Fechei a janela, avisei-te para esperares e sai disparada de casa ao teu encontro. Tinha que te beijar.
Eras só tu que me importavas. Na minha cabeça mais ninguém existia, estando ou não contigo. A Matilde e o Rodrigo... Braga... Nada foi dito com insegurança, o que é de admirar vindo de mim. Ainda me lembro daquela manhã que acordamos os dois após uma festa, de espelho quase ao comprimento de ambos os corpos e tu com a cabeça na minha barriga enquanto te mexia no cabelo. Disseste que ouvias a Matilde. Podia ter achado estranho, mas o facto de me dares mais uma prova de que era eu com quem querias passar o resto da tua vida, deixava-me radiante.
Ele é isto! Ele é aquilo! Ele não vale nada! Nunca vai mudar! - Nem sei em que acreditar mais..
Todavia, nem tudo é um mar de rosas. Após a minha ida a Londres que te tornaste frio, distante. Comecei a gerar filmes na minha cabeça com as inseguranças e conhecimentos que tinha, e afastei-te mais. Culpei-me durante dias, e a dor parecia que já era bastante duradoura, forte. Tão forte que me obrigava a sair das aulas, fugir para becos e procurar sempre companhia. Tão forte que não me permitia comer ou concentrar-me nas minhas outras prioridades. Tão forte, que parecia que sufocava...
Muita gente me deu força. A minha melhor amiga, pessoas que nunca devia ter deixado para trás, e amigas em quem eu aprendi a confiar. Decidiste falar comigo, mas não me procuraste e acabaste tudo o que deveria ter sido para sempre. Não entendi, fiquei completamente apática. Respondi-te da forma mais indiferente possível e levantei a cabeça, pois o que tu realçaste desde o início, também esqueceste, que eu sou uma grande mulher.
Com o tempo, não muito, para ser mais precisa, um dia após o ponto final, a verdade vem ao de cima. E sejamos sinceros, "só não vê, quem não quer ver". E descubro que afinal estas com outra rapariga, por acaso a razão do meu pequeno filme, descubro que tratas a minha melhor amiga quase que da mesma maneira que me tratas a mim e toda a culpa que antes depusera em mim, desaparece. Criei um escudo, aliei o orgulho a maturidade e defendi-me. Por mais lágrimas que me custasse cada impacto teu, eu iria aguentar. Prometi a mim mesma.
Mas algo não faz sentido, dizes-me que não sentes nada por ela e ao mesmo tempo assumes que ainda me amas, que todas as palavras e actos não foram em vão, que foi tudo sincero realçando constantemente, que um dia entenderei tudo... Sinceramente, acreditei.
Mas explica-me! O que há a entender?! Não percebes que tu me enfraquecesses? Que esta mulher que se mostra forte, na tua presença (ou omnipresença), é instantaneamente transformada num frágil pedaço de papel que tu com o mais ligeiro passo podes facilmente destruir? Não compreendes isso?!! Claro que não, o José por quem eu me apaixonei escondeu-se de novo, revelando o Zé.
Perguntas-me o porque de te dar para trás, e eu até começo a acreditar que deste uma folga à cabeça. Sim! Estou super magoada contigo! Não pensaste uma única vez em mim desde que esta merda toda começou! Contudo, sejamos realistas e estudemos a situação... Como é que alguém consegue pensar nos outros, quando nem sabe a quantas anda? Tenho em consideração o facto de já teres tentado arranjar emprego, e sinto que com calma e esforço vais conseguir muito. E eu? Bem, se depois de cuidares da tua vida achares que ainda é importante a minha presença nela, ao teu lado... Luta, esforça-te! Faz com que eu me sinta a única e a tal para ti; recupera a minha confiança e nunca desistas. Aviso-te que vai ser difícil, mas posso adiantar que este coração ainda bate da mesma maneira desde do dia que começou, que me importo e que acredito em ti, em nós.
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